Perigo real e imediato

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Pesquisas indicam que o número geral de fumantes têm diminuído ao longo dos anos, em todo o mundo.

Entretanto, no momento em que o Brasil enfrenta a estagnação dos números de tabagismo – depois de anos de queda, as taxas de população fumante começaram a dar sinais de estabilidade – surge uma nova preocupação: o uso de narguilé avança entre adolescentes das escolas públicas e privadas de todo o Brasil.

O alerta veio de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostrando que 9% dos alunos do 9º ano do ensino fundamental haviam fumado com o aparelho em 2015. Três anos antes eram 7%. De acordo com os resultados, o consumo se dá, sobretudo, entre estudantes de escolas particulares, nas Regiões Sul e Sudeste.

O crescimento do narguilé, além de representar uma ameaça à redução dos indicadores de fumo no país, é um perigo real à saúde dos jovens. Dados da OMS indicam que uma sessão de narguilé de 20 a 80 minutos corresponde à exposição de componentes tóxicos presentes na fumaça de 100 cigarros. A água utilizada no consumo diminui só em 5% a quantidade de nicotina, um dos componentes de cigarros (e outros produtos do gênero) que causa dependência química, física e psicológica, segundo análises feitas pela Universidade de Brasília (UnB). Outros estudos sugerem que a quantidade de nicotina inalada com o narguilé é pelo menos o dobro da inalada pelo consumo do cigarro normal, causando uma dependência ainda maior.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 24 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos – 17 milhões de meninos e 7 milhões de meninas – fumam em todo o mundo. No Brasil, 10% da população é fumante, sendo que, dentro deste número, estima-se que 100.000 sejam adolescentes.

Diante destes números, especialistas já consideram o tabagismo uma doença pediátrica já que a maioria das pessoas experimenta o fumo na infância ou adolescência. Atualmente, o tabaco é responsável por mais de 7 milhões de mortes anuais por diversas causas. Somente no Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são gastos anualmente R$ 57 bilhões com tratamento de doenças relacionadas ao tabaco e com despesas indiretas.

 

Fonte: Estadão Saúde