Consumo de cannabis atrasa desenvolvimento cognitivo

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Estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, afirma que o consumo de maconha é mais prejudicial para o cérebro de adolescentes do que a ingestão de bebida alcoólica.

Publicada no periódico científico American Journal of Psychiatry, a pesquisa – que acompanhou 3.800 adolescentes (acima dos 13 anos) de mais de trinta escolas canadenses ao longo de quatro anos – identificou que os adolescentes usuários regulares de maconha podem sofrer danos duradouros na capacidade de pensamento.

Os testes cognitivos mediram memória (de longo e curto prazo, incluindo recordação), raciocínio perceptivo e controle inibitório. Além disso, os participantes também responderam questionários anuais sobre a frequência do consumo de álcool e cannabis. 75% deles afirmaram beber álcool, mesmo que ocasionalmente, enquanto 28% admitiram fazer algum uso de maconha. Embora o uso de maconha tenha sido menor que o de álcool, os pesquisadores concluíram que a cannabis causa mais danos à cognição do que o álcool.

Segundo os resultados, todos os problemas de cognição – processo cerebral pelo qual adquirimos conhecimento através da percepção, atenção, associação, memória e raciocínio – permanecem mesmo após a interrupção do consumo.

Entretanto, de acordo com Randi Schuster, diretora de neuropsicologia do Center for Addiction Medicine do Massachusetts General Hospital, nos EUA, quando os adolescentes param de usar maconha, mesmo que por um período curto, como uma semana, o aprendizado verbal e a memória deles melhoram.

Randi comandou uma equipe de pesquisadores que analisou 88 pessoas com idade entre 16 e 25 anos, que fumavam maconha pelo menos uma vez por semana. Dois terços deles foram selecionados, aleatoriamente, para parar de fumar. A partir daí, testes para comparar a capacidade de memorização desses participantes começaram a ser feitos semanalmente.

A pesquisa, publicada no Journal of Clinical Psychiatry, reforça a ideia de que o uso de maconha em adolescentes está associado à redução do funcionamento neurocognitivo, já que o THC, o ingrediente ativo da maconha, afeta mais intensamente as partes do cérebro que se desenvolvem durante a adolescência.

De acordo com os resultados, a memória dos abstêmios melhorou já na primeira semana sem fumar, e continuou assim até o final do estudo. Já entre os adeptos da cannabis, também houve um aumento na memorização, mas isso só aconteceu após um mês, e se deve a uma limitação do estudo – os cientistas acreditam que os voluntários estavam apenas se acostumando com o teste, não necessariamente melhorando sua memória.

Como a pesquisa de Randi só durou quatro semanas, um novo estudo de longo prazo, chamado de Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Adolescente, está sendo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA e poderá dar respostas mais aprofundadas sobre os efeitos da maconha no cérebro dos jovens, e também revelar se o funcionamento cerebral dos adolescentes pode se recuperar completamente quando eles param de usar a erva.

Todos estes estudos refletem a preocupação dos especialistas com os discursos pró-legalização da cannabis. A desinformação fez com que o percentual de adolescentes que acreditam que o uso regular de maconha representa um grande risco para a saúde caiu drasticamente desde meados dos anos 2000 .

Um estudo observou que, após 2012, quando a maconha foi legalizada no estado de Washington, o número de alunos da oitava série que acreditavam que a maconha apresentava riscos à sua saúde caiu em 14%.

 

Fontes: Newscientist & Psychology Today